domingo, 4 de dezembro de 2016

Erva-sargacinha ou Sargacinho-peganhoso (Halimium umbellatum)






Erva-sargacinha ou Sargacinho-peganhoso [Halimium umbellatum  (L.) Spach]
Pequeno arbusto, muito ramificado, que pode atingir até 70cm de altura, com ramos curtos, folhosos e um tanto tortuosos; folhas sésseis, opostas; lineares ou linear-lanceoladas e uninérvias, ou oval-lanceoladas ou oblongo-lanceoladas e trinérvias; flores com pétalas brancas, sem manchas, agrupadas (1 a 10) em cimeiras umbeliformes.
Segundo a Flora Ibérica, além da subespécie nominal (H. u. umbellatum), ocorre na Península Ibérica e também no território português do Continente (LU, para os botânicos), uma outra subespécie designada por Halimium umbellatum subsp. viscosum (Willk.) O. Bolòs et Vigo. 
Grosso modo, as duas subespécies diferem sobretudo no número e tipo de pêlos e em particular dos pêlos glandulíferos existentes nos pedicelos e nas sépalas, pêlos estes que estão na origem da maior ou menor viscosidade apresentada pelas plantas.
Muito viscosa a subespécie H. u. viscosum, a justificar a atribuição do epíteto subespecífico e pouco viscosa a subespécie nominal. Acresce que aquela pode alçar-se até aos 70 cm de altura, enquanto que a subespécie nominal, por via de regra, não vai além dos 30 cm,
Tipo biológico: fanerófito; 
Família: Cistaceae;
Distribuição: As duas subespécies distribuem-se por forma não inteiramente coincidente: a  nominal está presente apenas em França e na Península Ibérica, encontrando-se em Portugal  desde o Alto Alentejo até ao Minho. A subespécie H. u. viscosum tem uma distribuição geral mais ampla, pois, além da Península Ibérica, ocorre também no Norte de África (Marrocos e Argélia). Em Portugal, esta subespécie aparece sobretudo nas regiões mais próximas da fronteira terrestre, mas pode encontrar-se desde o Algarve até Trás-os-Montes.
Ecologia/habitat: As duas subespécies diferem também no respeitante ao habitat. A nominal prefere terrenos de matos, algo húmidos, em solos pobres, siliciosos, a altitudes  entre 100 e 1800m.  A H. u. viscosum encontra-se também em terrenos de mato, mas secos, sobre solos ácidos, com areia ou cascalho, a altitudes até 1900m
Floração: subespécie nominal: de Abril a Julho; subespécie  H. u. viscosum: de Fevereiro a Julho.
[Local e data: Picoto Rainho - Serra de Alvelos (concelho da Sertã); 28 - Abril - 2014]

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Granza-dos-campos (Sherardia arvensis)





Granza-dos-campos (Sherardia arvensis L.
Erva anual, com caules até 30 cm, geralmente ramificados a partir da base, erectos ou ascendentes, glabros, ou mais ou menos híspidos na região floral; folhas dispostas em verticilos de 4, as basais e em verticilos de 5 ou 6, as médias e superiores; flores com corola lilás ou rosada e, por vezes, branca, agrupadas (4 a 10) em inflorescências capituliformes, terminais ou axilares.
Tipo biológico: Terófito;
Família: Rubiaceae;
Distribuição: Planta originária da Europa, Oeste da Ásia, Norte de África e Macaronésia (excepto Cabo Verde e Açores), mas introduzida em muitas outras regiões do globo. Por isso, é considerada actualmente como uma planta subcosmopolita.
Em Portugal ocorre, como planta autóctone, quer em todo o território do Continente, quer no arquipélago da Madeira e, como espécie introduzida, no arquipélago dos Açores.
Ecologia/habitat; pastagens anuais, campos agrícolas, cultivados ou em pousio, terrenos baldios, bermas de estradas e caminhos, a altitudes até 1700m. Indiferente à composição do solo.
Floração: de Fevereiro a Junho.
(Local e datas: Serra da Arrábida; Março- 2015; Abril - 2016)

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Macieira-de-bedel (Bunias erucago)






 





Macieira-de-bedel (Bunias erucago L.)
Erva anual (tipo biológico: terófito) da família Brassicaceae Cruciferae).
Distribuição: Norte de África (Argélia e Tunísia); Ásia (Síria e Turquia) e Sul da Europa. Entretanto, introduzida noutros países do continente europeu.
Em Portugal, segundo a Flora Ibérica, tem uma distribuição ampla, sendo dada como existente em quase todo território do Continente, ponto de vista que parece não ser confirmado pelos registos existentes no portal Flora.on. De facto, os avistamentos ali reportados, apontam para uma ocorrência bem mais restrita, pois que limitada ao Algarve, Beira Alta e Trás-os-Montes.
Ecologia: pastagens de sequeiro; searas e outros campos agrícolas incultos e em pousio; e terrenos arenosos nas margens de cursos de água, a altitudes até 1500m.
Floração: de Março a Julho.
(Local e data: Barca d'Alva; 8 - Abril - 2016)

sábado, 26 de novembro de 2016

Helianthemum nummularium

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Helianthemum nummularium (L.) Mill.*
Planta perene, subarbustiva, com 10 a 45 cm, ramificada a partir da base, com caules ascendentes ou procumbentes, glabros ou sedosos, por vezes, tomentosos; folhas ovado-lanceoladas, elípticas ou linear-lanceoladas, obtusas; inflorescências simples que podem comportar até 15 flores de pétalas amarelas ou alaranjadas, raramente brancas.
Tipo biológico: Caméfito;
Família: Cistaceae;
Distribuição: Europa e Oeste da Ásia.
Em Portugal ocorre apenas no território do Continente, com presença limitada às regiões da Beira Alta, Beira Litoral, Douro Litoral, Minho e  Trás-os-Montes.
Ecologia/habitat: Clareiras de matagais e bosques, terrenos de pastagem, geralmente secos, frequentemente pedregosos, em substrato calcário ou silicioso,  a altitudes até 2000.
Floração: de Maio a Setembro.
* Sinonímia: Cistus nummularius L. (Basónimo)
[Local e data (Foios (Sabugal); 22 - Junho - 2013 (fotos 2 e 5); 12 - Junho - 2014 (fotos restantes)]

sábado, 12 de novembro de 2016

Galium broterianum


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Galium broterianum Boiss. & Reuter
Erva perene, glabra, ou escassamente pilosa, com estolhos radicantes nos nós; um ou vários caules ramificados, mais ou menos consistentes, erectos ou ascendentes, com 30 a 90 cm; folhas sésseis, dispostas em verticilos de 4, francamente elípticas e nitidamente trinérvias; flores tetrâmeras, em geral hermafroditas, com corola branca ou esbranquiçada, agrupadas em inflorescências multifloras e paniculiformes. 
Tipo biológico: Proto-hemicriptófito (fonte).
Família: Rubiaceae;
Distribuição: Endemismo ibérico, circunscrito ao Centro e Oeste da Península Ibérica.
Em Portugal ocorre em todo o território do Continente, mas encontra-se muito mais frequentemente nas regiões do Centro e Norte do país.
Ecologia/habitat: lugares húmidos e sombrios, frequentemente nas margens de rios e de outros cursos de água, em substrato preferentemente granítico, a altitudes até 2000m.
Floração: de Maio a Setembro.
[Locais e datas: rio Côa (concelho de Sabugal); 19/20 - Julho - 2015 (fotos 1, 2, 4, 5, 8 e 9); Troviscal - Sertã; 27 - Julho - 2013 (fotos restantes)] 

sábado, 5 de novembro de 2016

Odontites vernus



 



Odontites vernus (Bellardi) Dumort.*
Erva anual, pubescente, semiparasita; com caules erectos, mais ou menos ramificados, com 10 a 50 cm; folhas lanceoladas, dentadas, com nervuras bem salientes; flores de cor púrpura ou rosa, mais ou menos claro, dispostas em inflorescência comprida e pouco densa; fruto constituído por cápsula ligeiramente mais curta do que o cálice.
Tipo biológico: terófito;
FamíliaOrobanchaceae;
Distribuição: Europa; Ásia (Centro e Oeste); Norte de África. Naturalizada na América do Norte. Em Portugal ocorre apenas no território do Continente e aparentemente não será muito comum, mesmo nas regiões onde é dada como certa a sua presença (Beira Baixa, Beira Alta, Trás-os-Montes, Minho e Douro Litoral).
Ecologia/habitat: pastagens, searas, terrenos de cultivo de regadio, bermas de estradas e caminhos, em locais com alguma humidade a altitudes até 1600m. Indiferente à composição do solo. 
Floração: de Junho a Outubro.
*Sinonímia: Euphrasia verna Bellardi (Basónimo)
[Local e data: margens do  Côa (Quadrazais - Sabugal); 6 - Setembro - 2016]  

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Atanásia-das-boticas (Tanacetum vulgare)






Atanásia-das-boticas *(Tanacetum vulgare L.)
Erva vivaz, com 60 a 90 cm;  caules erectos; folhas multipenatipartidas, com segmentos de última ordem profundamente dentados; flores tubulares amarelas, agrupadas em capítulos dispostos em corimbos mais ou menos densos.
Tipo biológico: hemicriptófito;
Família; Asteraceae / Compositae;
Distribuição; espécie nativa das regiões temperadas da Eurásia (Europa e Ásia), entretanto introduzida e naturalizada em vastas regiões do globo, incluindo as Américas (do Sul e do Norte).
Em Portugal ocorre apenas no território do Continente, como espécie introduzida e naturalizada.
Ecologia/habitat: margens de cursos de água; sebes e na orla de terrenos cultivados e incultos; bermas de estradas e caminhos.
Floração: de Junho a Agosto.
Fitoterapia: Planta usada, desde há muito, em fitoterapia, designadamente, como vermífugo. Deve, no entanto, evitar-se a sua utilização sem controlo por pessoa com conhecimentos na matéria, pois a planta é tóxica.
* Outros nomes comuns: Atanásia;  Erva-de-São-Marcos; Erva-dos-vermes. No Brasil é também conhecida pelas designações de Pluma-amarga; Palminha e Catinga-de-mulata.
(Local e data; serra da Estrela; 26 - Julho - 2015)

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Consolda (Symphytum officinale)


 

Consolda * (Symphytum officinale L.)
Erva perene, com 10 a 50 cm; caules erectos, alados, híspidos; folhas caulinares sésseis, decurrentes; flores com corola rosada ou violeta, agrupadas em inflorescências ramificadas paniculiformes.
Tipo biológico: hemicriptófito;
FamíliaBoraginaceae;
Distribuição: grande parte da Europa e Oeste da Ásia (Turquia). Naturalizada em muitas partes do globo.
A presença desta espécie em território português, como planta cultivada, é certa**, mas  a sua ocorrência como planta autóctone é tida como duvidosa, admitindo-se, como possível a sua existência (aparentemente não confirmada) no Minho.   
Ecologia/habitat: relvados húmidos e margens de cursos de água, em substratos ácidos, a altitudes desde 100 a 1200 m.
Floração: de Março a Julho.
Fitoterapia: o uso da planta em fitoterapia tem uma larga tradição, quer por via interna (designadamente, no tratamento de gastroenterites, úlceras pépticas e cólon irritável), quer externamente (inflamações cutâneas, pele seca, contusões, distensões musculares e luxações, entre outras). No entanto, o uso por via interna é perigoso, visto que a planta, devido à presença de alcalóides pirrolizidínicos, é hepatotóxica. No Brasil, o  uso por via interna é mesmo interdito.
*Outros nomes comuns: Consolda-maior; Consólida-maior; Orelha-de-asno; Orelha-de-burro; Confrei.
** As plantas supra foram fotografadas no jardim existente na Casa da Cerca, em Almada, incluídas numa coleção intitulada "O Chão das Artes" dedicada a plantas utilizadas em tinturaria. De acordo com a informação recolhida no local, as folhas e o caule  da Consolda tingem de amarelo as fibras naturais.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Hypecoum procumbens











Hypecoum procumbens L.
Erva anual, com 10 a 25 cm, glabra, verde ou glauca, com caules numerosos, prostrados; folhas multi-penatissectas, com segmentos de última ordem linear-lanceolados, inteiros ou com 1 ou 2 dentes laterais; flores com 4 pétalas amarelas, as 2 externas aproximadamente iguais em comprimento e altura, trilobadas, com os lóbulos laterais mais ou menos planos e  o central com o ápice em quilha; as 2  internas, sem manchas negras, profundamente divididas, com os segmentos aproximadamente iguais e todos  bastante mais compridos do que largos;  frutos em geral arqueados,  estreitos (2 a 4 mm) e compridos (4 a 6 cm) 
Tipo biológico: terófito;
Família:  Papaveraceae;
Distribuição: Região Mediterrânica.
Em Portugal ocorre apenas no litoral algarvio e, aparentemente, é muito rara. De facto, nesta altura, o portal da SPBotânica (Flora.on) contém apenas o registo de três avistamentos, todos na mesma quadrícula.
Ecologia/habitat: terrenos arenosos, próximos do litoral.
Floração: de Fevereiro a Maio
(Local e data: Algarve; 11 - Março - 2016)
(Clicando nas imagens, amplia)