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sexta-feira, 23 de junho de 2023

Abrótea-lusitana (Asphodelus lusitanicus)





Abrótea-lusitana (Asphodelus lusitanicus Cout.)
Erva perene, rizomatosa, glabra, com rizoma curto, vertical ou oblíquo; caule liso, erecto, com 70 a 140cm; folhas todas basais, com quilha, dispostas em espiral ou de forma dística, com margem, em geral, denticulada, podendo atingir até 100 cm de comprimento; flores hermafroditas com seis tépalas lineares, oblongas ou oblongo-elípticas, em geral, brancas, com uma faixa central acastanhada ou púrpura, caducas na frutificação; inflorescência em cacho simples ou composto com 1 a 6 ramos erectos ou erecto-patentes, simples, com excepção do ramo inferior que, embora raramente, se pode apresentar ramificado; frutos sob a forma de cápsula ovóide, subesférica ou ovóide-elipsóide, brilhante, não viscosa, ligeiramente truncada no ápice.
No portal da SPBotânica (Flora.on) assinala-se que o A. lusitanicus é muito semelhante ao A. ramosus diferenciando-se, além do mais, pelas folhas (que são mais compridas e menos consistentes naquele do que neste) e "pela cor das brácteas (mais homogénea e de um castanho mais escuro em A. lusitanicus do que em A. ramosus, onde são esbranquiçadas ou de um castanho mais claro nas bordas)".
São reconhecidas 2 variedades desta espécie: var. lusitanicus e var. ovoideus, variedades que se distinguem, segundo os especialistas, tendo em conta, principalmente, o tamanho das sementes e das tépalas e a forma da sua base.
Tipo biológico: Geófito;
Família: Xanthorrhoeaceae;
Distribuição: trata-se, enquanto espécie, de um endemismo ibérico, porquanto a sua ocorrência está circunscrita a Portugal (Algarve, Baixo Alentejo, Estremadura, Ribatejo, Beira Alta, Beira Litoral, Douro Litoral, Minho e Trás-os-Montes) e a Espanha (províncias de Cáceres, Zamora, Ourense, Lugo e Pontevedra). Cumpre, no entanto, referir que a var.  lusitanicus ocorre apenas em território português do Continente. 
Ecologia/habitat: orlas e clareiras de bosques, terrenos de matos baixos com clara influência atlântica, em solos ácidos, com alguma profundidade, derivados de granitos, xistos e arenitos, a altitudes até aos 1200m.
Floração: de Março a Junho.
(Avistamento: Serra de Monchique; 26 - Março - 2023)
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segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Craveiro-do-monte (Simethis mattiazzi)





Craveiro-do-monte, Cravo-do-monte ou Ouropeso [Simethis mattiazzi (Vand.) Sacc.*]

Planta rizomatosa, perene, de caule erecto (20-45 cm); folhas lineares, basais, geralmente mais compridas que a haste floral; flores (brancas na parte interior e de cor púrpura na parte exterior, estames com filamento densamente peloso, na parte média, característico desta espécie, e anteras amarelas) agrupadas em panículas lassas. 
Distribui-se  ao longo dos países ribeirinhos da costa ocidental do Atlântico (noroeste de Marrocos, Portugal, Espanha, França e Sudoeste da Irlanda) e da costa ocidental do Mediterrâneo, desde Espanha até à Itália.
Segundo esta fonte, é uma espécie pouco frequente em Portugal, surgindo em locais graníticos ou areníticos, de solos muito ácidos. Não pondo em causa a informação que, no geral, corresponderá à verdade, certo é que  os exemplares fotografados foram encontrados em clareiras de matas sobre terrenos pedregosos de natureza argilo-xistosa, podendo, pelo menos presumir-se que a sua ocorrência não se limita àquele tipo de solos, até porque, também ao invés da referida informação, foram numerosos (da ordem das centenas) os exemplares que encontrei no mesmo local.
Espécie única do género Simethis, tem sido habitualmente classificada como pertencendo à família Asphodelaceae/Liliaceae. Todavia, esta fonte, com base em análises filogenéticas, enquadra-a na família Xanthorrhoeaceae (subfamília Hemerocallidoideae). (Como é óbvio, não serei eu a resolver a disputatio. O leitor terá que se contentar, tal como eu, com a informação sobre a existência desta divergência.) 
Floração: de Março a Julho.
*Sinónimos: Anthericum mattiazii Vand.; Anthericum planifolium Vand.; Pubilaria mattiazzi (Vand.) Samp.; Simethis bicolor Kunth; Simethis planifolia (L.) Gren. et Godr.
[Local e datas: Troviscal - Sertã; 09 abril - 2011 (fotos 1, 2 e 3); 28 - abril - 2011 (fotos 4 e 5)]
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terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Abrótea (Asphodelus macrocarpus subsp. macrocarpus)




 
Abrótea * (Asphodelus macrocarpus Parl. subsp. macrocarpus)
Erva rizomatosa, perene, glabra, com rizoma horizontal ou oblíquo; caule liso com 60 a 185 cm; folhas, todas basais, planas, com quilha muito acentuada, que podem atingir até cerca 100cm de comprimento; flores hermafroditas (com 6 tépalas brancas ou rosadas, por via de regra  persistentes após a floração) agrupadas em inflorescência em cacho geralmente simples; frutos sob a forma de cápsula (de esférica a subesférica), umbilicada, com ápice truncado, não viscosa. 
Tipo biológico: geófito;
FamíliaXanthorrhoeaceae;
Distribuição: Sul da Europa (Península Ibérica, França e Itália); Noroeste de África (Marrocos).
Em Portugal está presente apenas no território do Continente e com ocorrência limitada ao Alto Alentejo, Beira Baixa, Beira Alta, Beira Litoral, Minho e Trás-os-Montes.  
Ecologia/habitat: pastagens de montanha; em orlas, clareiras e sob coberto de bosques e matagais, em terrenos com alguma profundidade, ácidos ou básicos, a altitudes desde 500 a 2000m.
Floração: de Março a Julho.
* Outros nomes comuns: Abrótega; Gamão; Gamoneira; Gamonito.
[Local e data do avistamento: Serra de Montesinho (Trás-os-Montes); 20 - Junho - 2019]
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segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Abrótea-de-primavera (Asphodelus ramosus subsp. distalis)






Abrótea-de-primavera (Asphodelus ramosus subsp. distalis Z.Díaz & Valdés)
Erva perene, rizomatosa, glabra, com caule liso, erecto, com 50 a 160cm; folhas todas basais, dispostas de forma dística; flores hermafroditas com seis tépalas, em geral, brancas, com uma faixa central acastanhada ou púrpura, as externas ligeiramente mais estreitas que as internas, umas e outras caducas na frutificação; inflorescência em cacho composto com 3 a 10 ramos erecto-patentes simples; frutos constituídos por cápsulas frequentemente ovóides, mais estreitas na parte superior, com ápice truncado.
Tipo biológicoGeófito;
Família: Xanthorrhoeaceae;
Distribuição:  Península Ibérica, Noroeste de Marrocos e Canárias. 
Em Portugal ocorre apenas no Sul do território do Continente (Algarve; Alto e Baixo Alentejo e Estremadura). 
Ecologia/habitat: pastagens,  clareiras de matos e bosques, em solos, em geral, profundos de diversa natureza (argilosos, calcários, margosos, xistosos, quartzíticos e areníticos) a altitudes até aos 1000m. 
Floração: de Janeiro a Abril.
(Local e data: Serra da Adiça - Moura: 4 - Abril - 2017)

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Abrótea-de-verão (Asphodelus aestivus)










Abrótea-de-verão ou Gamão-do-estio (Asphodelus aestivus Brot.)
Erva perene, rizomatosa (tipo biológico: geófito) com caule liso, glabro, com 70 a 180cm.
No "hábito", é muito semelhante a outras espécies congéneres. Todavia,  as características dos frutos, a par da época da floração, permitem a sua fácil identificação. 
A espécie tem, com efeito, relativamente às demais espécies do género que ocorrem em Portugal, uma floração bem mais tardia. Enquanto as suas congéneres têm uma floração maioritariamente primaveril ou mesmo pré-primaveril, a floração do A. aestivus, é sobretudo estival. Daí a designações de Abrótea-de-verão e de Gamão-do-estio.
Relativamente aos frutos nota-se que estes revestem a forma duma cápsula subesférica, não estreitada na base (aspecto que os diferencia dos frutos do A. serotinus), com superfície não viscosa, rodeada, na parte inferior, por um anel formado pelos restos secos da base do perianto.
Família: Xanthorrhoeaceae
Distribuição: Endemismo ibérico com ocorrência praticamente limitada ao Sudoeste da Península Ibérica. Está presente, como decorre da afirmação anterior, em Portugal, mas apenas em algumas regiões do Continente (Algarve, Alto e Baixo Alentejo, Estremadura, Ribatejo, Beira Litoral e  Beira Alta)
Ecologia/habitat: pastagens, clareiras de bosques e de matagais, em solos profundos, arenosos ou argilosos, a altitudes não superiores a 1200m.
[Local e data: Escaroupim (Salvaterra de Magos); 7 - Julho - 2015]
[Fontes consultadas: Flora.on; Flora Iberica]

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Abrótea-da-serra-da-Gardunha*

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(Asphodelus bento-rainhae P.Silva** subsp. bento-rainhae)
Erva perene, rizomatosa (tipo biológico: geófito), glabra, com caule liso que pode elevar-se até aos 150cm de altura.
Família: Xanthorrhoeaceae.
É um endemismo lusitano, com distribuição muito limitada, porque circunscrita à vertente norte da Serra da Gardunha (Beira Baixa) desenvolvendo-se desde os 550 até aos 800 m de altitude, em bosques de carvalhos e de castanheiros, em orlas de cerejais, bermas de estradas e caminhos, em solos com alguma profundidade derivados de xistos e granitos.
Trata-se de uma espécie considerada "Em Perigo Crítico de Extinção" pelos critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e incluída como Prioritária do Anexo II da Directiva Habitats.
Dentre as características próprias da espécie que mais facilmente permitem distingui-la das congéneres que ocorrem na mesma área de distribuição, a que que oferece ao observador maior certeza é, seguramente, a forma dos frutos  (cápsulas mais largas do que compridas, profundamente umbilicadas e acentuadamente trilobadas), forma que os torna inconfundíveis em relação aos frutos de toda a concorrência. Antes da frutificação, a cor das brácteas (negras ou castanho-escuras)  é talvez a caraterística própria da espécie mais facilmente perceptível.
Floração: de Abril a Junho.
(* Por estranho que pareça este endemismo português não tem designação comum em língua portuguesa. A adopção de uma designação como a usada no título, "Abrótea-da-serra-da-Gardunha" ou de uma mais simples como "Abrótea-da-Gardunha" não só não tem nenhum inconveniente, como tem inteira justificação, já que "Abrótea" é designação comum das espécies do género Asphodelus e Gardunha é precisamente o local de origem da espécie.)
(** O descritor é o botânico português António Rodrigo Pinto da Silva.)
[Local e datas: Serra da Gardunha; 16 - Abril - 2015 (fotos 1, 2, 3, 4, 5, 6, 12 e 13); 30 - Abril - 2015 (fotos 7 e 8); 1 - Junho - 2015 ( fotos 9, 10 e 11)].

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Abrótea (Asphodelus serotinus)









 
Designação científica: Asphodelus serotinus Wolley-Dod 
Nomes comuns: Abrótea, Abrótea-da-primavera, Abrótega, Gamões, Gamoneira, além de outros.
FamíliaXanthorrhoeaceae;
Tipo biológico: Geófito;
Distribuição: Endemismo ibérico, com ocorrência mais frequente no Centro e Ocidente da Península Ibérica. Raro no Norte. 
 Em Portugal encontra-se em grande parte do território do Continente (Algarve; Alto e Baixo Alentejo; Estremadura, Ribatejo;  Beira Baixa, Beira Alta, Beira Litoral e Trás-os-Montes). 
Ecologia/habitat:  clareiras de bosques, charnecas e matagais; terrenos de pastagem e taludes, sobre solos de diversa composição (ardósia, xistos, granitos, arenitos e mesmo calcários) a altitudes até aos 1240m. 
Floração: de Março a Junho.

Obs.: Erva perene, rizomatosa, com 80 a 180cm de altura, aos olhos do leigo, é muito semelhante às demais espécies do género Asphodelus que ocorrem em Portugal, se exceptuarmos a espécie baptizada de Asphodelus fistulosus que tem umas "vestes" muito diferentes das restantes. Para distinguir o A. serotinus recomenda o portal Flora.on que se preste atenção aos frutos "muito brilhantes e algo pegajosos" e "em forma de pêra invertida, isto é, estreitando para a base".

(Local e data: Brejos de Azeitão: 10 Maio - 2015)

(Fontes consultadas: Jardim Botânico UTAD; Flora.on; Flora Iberica.)