quarta-feira, 30 de maio de 2012

Corriola-do-Espichel (Convolvulus fernandesii)






Corriola-do-Espichel (Convolvulus fernandesii P.Silva & Teles)
A "Corriola-do-Espichel" pode não ser dotada duma beleza surpreendente, mas é, em todo o caso, uma jóia rara,  porque é um endemismo português e, para mais, restrito à área do Cabo Espichel e ao litoral da Serra da Arrábida. Rara, mas também difícil de encontrar, porque tem o seu habitat limitado ás escarpas e fendas abertas ao longo das arribas do litoral. Eu próprio o posso dizer, porque só à terceira tentativa é que consegui deparar com ela  no fundo duma ravina cavada na falésia, a que se tem acesso seguindo por um carreiro traçado e frequentado, suponho eu, por pescadores, carreiro que, tendo em conta o declive, não é recomendável a senhoras com sapatos de salto alto, nem a cavalheiros com sapatos com gáspeas de sola.
Trata-se dum arbusto ramificado, com flores brancas, mais ou menos frondoso, consoante a profundidade e qualidade do solo onde se encontra implantada e que se comporta como planta trepadeira que se enrola no suportes mais próximos, geralmente, outras plantas. As silvas fazem, frequentemente, esse papel como no caso que descrevo. 
Porque se trata duma espécie rara, faz sentido referir que as plantas encontradas, ainda em floração, mas também já com frutos a amadurecer (v. última foto) apresentavam excelente aspecto vegetativo. Compreensivelmente, aliás, pois o local dispõe de bons sedimentos carreados pelas águas da chuva que, convergindo do altiplano da Azóia, acabam por se precipitar naquele local, dispondo, para mais, de praia privativa (foto infra)
Floração: de fevereiro a junho.
(Local e data: Cabo Espichel - Serra da Arrábida; 28 - maio - 2012)


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terça-feira, 29 de maio de 2012

Notobasis syriaca





Cardo-da-Síria (?) [Notobasis syriaca (L.) Cass.]
Espécie única do género Notobasis, a Notobasis syriaca é uma planta anual, da família Asteraceae, escassamente ramificada que, segundo a Wikipédia (em inglês e em espanhol) pode atingir entre 30 a 100 cm, porte que pode ser o habitual, mas que não condiz com a minha observação, pois no local onde as fotografias foram obtidas deparei com exemplares com altura igual ou superior a dois metros. As folhas, peninérvias, com  nervuras em tons de branco, apresentam recortes profundos, menores as próximas da base, maiores as superiores, mas todas estão providas de espinhos em todos os segmentos, bem como no ápice, espinhos que nas folhas superiores são particularmente fortes e acerados. As flores, roxas, agrupam-se em capítulos bem protegidos por folhas espinhosas e  brácteas guarnecidas com espinhos terminados em forma de gancho.
Distribui-se por toda a Região Mediterrânica,  pelos arquipélagos das Canárias e da Madeira e por alguns  países da Ásia não confinantes com o Mediterrâneo, como o Irão e o Azerbeijão. 
Não disponho de dados sobre a sua distribuição em Portugal. Todavia, o portal Flora-on contém apenas registo de ocorrências em locais a sul do Tejo incluindo registos de ocorrências na Serra da Arrábida e no Algarve. As minhas observações ocorreram todas na Arrábida, em zonas de pastagens, em baldios e à beira de caminhos.
Floração: provavelmente, tendo em conta as minhas observações, a floração decorrerá de maio a junho, pelo menos.
(Local e data: Serra da Arrábida; 22 - maio - 2012)

domingo, 27 de maio de 2012

Cardo-malhado (Scolymus maculatus)

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Cardo-malhado * (Scolymus maculatus L.)
Planta anual, da família Asteraceae, cujo caule pode atingir entre 20 e 130m de altura(**), ramificado em forma de candelabro, manchado de branco tal como os ramos e tal como estes protegido por cartilagens de forma triangular com espinho no vértice exterior. As folhas são todas espinhosas e igualmente manchadas de branco, mais rígidas as caulinares do que as basilares, apresentado todas elas formas diferentes, incluindo as mais próximas dos capítulos (de flores amarelas) que, além de espinhosas, são pectinadas. 
Distribui-se pela Região Mediterrânica e pelos arquipélagos da Madeira e das Canárias, surgindo geralmente em terrenos de pastagem, em terrenos incultos e à beira de caminhos.
Em Portugal continental distribui-se de forma irregular, sendo mais comum no centro e sul.
Floração: de maio a setembro.
*Outros nomes comuns: Cardo-branco; Escólimo-malhado; Escólimo-maculhado; Tigarro.
** (Isto, tendo em conta as fontes consultadas. Todavia, dentre os exemplares por mim observados, nenhum tinha menos de 1m de altura e vários ultrapassavam os 2m.
[Local e datas: Serra da Arrábida; 15 - maio - 2012 (fotos 3 e 4); 22 -maio - 2012 (as restantes)]

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Hipericão-celheado (Hypericum perfoliatum)






Hipericão-celheado *(Hypericum perfoliatum L.)
Planta herbácea, perene, de caule erecto que pode atingir até cerca de 1 m de altura, à semelhança doutras espécies do mesmo género da família Hypericaceae**, como o quase homónimo h. perforatum. Distingue-se, ou antes, julgo poder distingui-la, porventura erradamente, como é apanágio de leigo na matéria, de outras espécies do mesmo género, pela forma das folhas (de lanceoladas a ovadas) e pelo modo como, opostas, se abraçam ao caule dando a sensação de que este atravessa a dupla lâmina foliar. Provavelmente daí advém o qualificativo específico de  perfoliatum. Já o epíteto vulgar (celheado) derivará, suponho eu do facto de as sépalas serem ciliadas, o que constituirá, admito, outra característica diferenciadora da espécie.
Distribui-se, segundo a Flora Digital de Portugal, "pela Região Mediterrânica, Ásia Menor, N África e Macaronésia. Quadrante SW Península Ibérica", com habitat rupícola e em relvados húmidos. Pessoalmente só deparei com ela em três sítios da Serra da Arrábida, incluindo numa pedreira abandonada de marga/calcário, por entre terras ali deixadas na sequência da cessação da exploração, em locais onde tende a concentrar-se a água da chuva e, por isso, temporariamente encharcados. 
Floração: de abril a julho, segundo a fonte citada.
*Também designado vulgarmente por Erva-das-sete-sangrias e Hipericão-frondoso.
** Autonomizada da família Clusiaceae, ou Guttiferae, onde estava incluída como sub-família.
(Local e datas:  Serra da Arrábida; de 30 de abril a 9 de maio - 2012)

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Salva-brava (Phlomis lychnitis)





Salva-brava ou Candeiolas (Phlomis lychnitis L.)
A terceira novidade de que aqui falei, a Salva-brava, é uma planta perene, de pequeno porte (20-60cm), da família Lamiaceae, com caule branco-tomentoso, simples ou pouco ramificado, com folhas aveludadas, inteiras, (as basilares linear-lanceoladas e as caulinares lanceoladas) e flores de corola amarela dispostas em coroa formada na axila das folhas superiores. 
Nativa do sudoeste europeu (Península Ibérica e França), desenvolve-se em terrenos de matos baixos, pedregosos e, geralmente, calcários. Em Portugal ocorre de forma descontínua no centro e sul do território do Continente.  É cultivada como planta ornamental. 
Floração: de abril a agosto.
(Local e data; Serra de Candeeiros; 18 - maio - 2012)

domingo, 20 de maio de 2012

Colher-de-pastor (Leuzea conifera)





 



Colher-de-pastor [Leuzea conifera (L.) DC.]

O prometido é devido: aqui tem o leitor a segunda das "maravilhas" a que me referi no "post" anterior. As plantas fotografadas não estavam ainda em plena floração, mas como não sei se terei oportunidade de as fotografar nessa fase, não quis deixar de partilhar desde já estas imagens, até porque a beleza da espécie reside, em boa medida, nas brácteas brilhantes que protegem o capítulo floral.
Planta perene, da família Asteraceae, passa facilmente despercebida, porque não atinge grande altura (as por mim avistadas não ultrapassavam 15- 20 cm.
A literatura sobre a espécie é, aparentemente, escassa, razão por que recorro uma vez mais ao Dias com árvores* que informa que a planta se distribui pela "Península Ibérica e pela região centro-oeste do Mediterrâneo", florescendo "entre Maio e Agosto".
Tem o seu habitat preferencial em terrenos secos e pedregosos, em encostas povoadas de matos, sobre substratos calcários. 
*Já agora siga este conselho: se quiser ver a planta em plena floração, aproveite para dar uma vista de olhos ao sítio "linkado", onde encontrará também mais e melhor informação.

(Local: Casais Robustos - Serra d'Aire; 16 - maio - 2012) 
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sábado, 19 de maio de 2012

Orquídea-piramidal (Anacamptis piramidalis)









Orquídea-piramidal, ou Satirião-menor [Anacamptis piramidalis (L.)Rich.] 
Durante breves passagens, por terras das Serras d'Aire e Candeeiros, a caminho e na volta doutro destino, deparei-me com três pequenas "maravilhas" observadas por mim, in situ, pela primeira vez.  Uma delas tem-na o visitante agora sob os olhos. As outras duas aqui chegarão a seu tempo.
Anacamptis piramidalis  é uma erva vivaz, com raízes tuberosas, da família Orchidaceae, cuja haste floral pode atingir até cerca de 70cm e, por isso, facilmente observável no meio ambiente onde surge.
A espécie distribui-se pela Região Mediterrânica e por boa parte da Europa e da Ásia, ocorrendo geralmente em terrenos relvados incultos e em clareiras de matos, com substrato calcário. Em Portugal encontra-se apenas no centro e sul do território do Continente e, a crer no número de exemplares encontrados durante as recentes breves passagens por aquelas terras, diria que em Portugal a espécie tem nas Serras d'Aire e Candeeiros o seu ambiente de eleição.
Floração: de abril a junho:
(Local: Casais Robustos - Serra d'Aire; 16 - maio - 2012)

sábado, 12 de maio de 2012

Moscardo-fusco (Ophrys fusca)




Moscardo-fusco, ou Moscardo-maior (Ophrys fusca Link)
Erva vivaz, tuberosa, da família Orchidaceae, cuja haste floral, onde as flores (2 a 8) se dispõem em inflorescência frouxa,  pode atingir até 40 cm de altura. 
É uma planta nativa da Região Mediterrânica, distribuindo-se, designadamente, pelos países da Europa meridional e pelos países do norte de África. Em Portugal encontra-se apenas no centro e sul do território do Continente. Ocorre geralmente em terrenos de encosta, relvados e com boa exposição solar, em clareiras de matos, sobre solos secos, frequentemente sobre substrato calcário.
A espécie encontra-se dividida em várias subespécies. O Portal Flora-On regista apenas três (a nominal, subsp. fusca; a subsp bilunulata e a subsp. dyris). Todavia, noutros lugares são referidas várias outras, endémicas doutras paragens. Olhando para o quadro comparativo posto à disposição pelo citado Portal, parece-me não ser ousado afirmar que exemplares fotografados se enquadram na subespécie nominal.  
Floração: de fevereiro a maio, segundo o guia de campo "Flores da Arrábida" de José Gomes Pedro e Isabel Silva Santos.
(Local e data: Serra da Arrábida; 13 - abril - 2012) 

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Cardo-de-isca (Echinops strigosus)





 Cardo-de-isca (Echinops strigosus L.)
Planta herbácea, anual, da família Asteraceae, cujo caule, erecto, tomentoso, mais ou menos ramificado, pode, eventualmente, atingir mais de 1m de altura. As folhas dividem-se em segmentos lineares cobertos de pelos rígidos na parte superior, terminando em espinho. As flores agrupam-se em capítulos de forma aproximadamente esférica, podendo os capítulos atingir até 7 cm de diâmetro.
Distribui-se pelo centro e sul da Península Ibérica e pelo noroeste de África, ocorrendo, geralmente, em pastagens, em sítios secos, não raro pedregosos, e frequentemente em encostas com boa exposição solar, sobre substratos calcários.
Floração: de maio a agosto
(Local e data: serra da Arrábida; 09 - maio - 2012)

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Joina-das-areias (Ononis ramosissima)



Joina-das-areias (Ononis ramosissima L.)
Pequeno arbusto (até 60 cm de altura) de forma arredondada, da família Fabaceae. Apresenta caule erecto, muito ramificado desde a base, com ramos pouco lenhosos, revestidos, tal como as folhas, de glândulas que tornam a planta pegajosa ao tacto. Distribui-se, em geral, por toda a bacia do Mediterrâneo, ocorrendo ao longo do litoral, nas areias das dunas e nas falésias. Também se aventura, no entanto, alguns quilómetros  pelo interior, (como é caso das reproduzidas nas imagens supra) onde aparece a colonizar terrenos secos e  pedregosos.
Floração: de abril a junho.
Local e data: Serra da Arrábida; 30 - abril - 2012)
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