domingo, 31 de março de 2013

Leiteira-dentada (Euphorbia serrata)





Leiteira-dentada (Euphorbia serrata L.)
Planta perene, rizomatosa (tipo fisionómico: caméfito) glabra, em geral, multicaule, (com 20 a 60 cm de altura) da família Euphorbiaceae. Apresenta como característica distintiva das espécies congéneres a existência de folhas completamente providas de espinhos/dentes esparsos e desiguais em toda a margem,  folhas que, sendo sésseis, tanto podem ser lineares, como linear-lanceoladas, ovado-lanceoladas ou oblongas.
Distribuição: Oeste da Região Mediterrânica e Canárias. Introduzida na África do Sul e América do Norte. Em Portugal é dada com presente no Algarve, Alto Alentejo, Beira Alta e Trás-os-Montes.
Habitat: Pastagens, terrenos cultivados em pousio e terrenos perturbados, em lugares secos e ensolarados sobre solos calcários ou margosos.
Floração: de Março a Julho.
(Local e data: Salgados - Algarve; 21 - Março - 2013)
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quinta-feira, 28 de março de 2013

Pombinhas (Linaria algarviana)





Pombinhas (Linaria algarviana Chav.)
Erva anual (tipo fisionómico: terófito), da família Plantaginaceae, em geral, glabra, mas com alguns pêlos glandulosos na inflorescência;  caules férteis (15 - 25 cm) decumbentes, mas erectos na inflorescência; folhas lineares, alternas; flores com corola (16 - 21 mm) de cor violeta, com o lábio inferior amarelo e creme, marcado com veios, de desenho variável, de cor violeta.
Distribuição: É um endemismo português ou, melhor dizendo, algarvio, cujas populações se distribuem desde a costa vicentina até Almansil.
Habitat: clareiras de matos,  pinhais pouco densos e  pastagens, em locais não muito afastados do litoral, em geral, sobre solos mais ou menos arenosos.
Floração: Março e Abril.
(Local e data: proximidades de Odiáxere - Algarve; 22 - Março - 2013)
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quarta-feira, 27 de março de 2013

Craveiro-do-monte (Tragopogon hybridus)





Craveiro-do-monte *(Tragopogon hybridus L.)
Erva anual (tipo fisionómico: terófito) da família Asteraceae, com caule erecto (20 a 60 cm), simples ou pouco ramificado, com folhas lineares, aguçadas no ápice, alternas, semi-amplexicaules, com flores reunidas em capítulos solitários, cujas brácteas involucrais  (8 a 9) lineares  têm mais do dobro  do comprimento das lígulas, cujo limbo, de cor lilás,  roxo ou rosa, se apresenta ligeiramente dentado na parte exterior.
O Portal Flora.On apresenta como característica distintiva ter a espécie "frutos externos com papilho constituído por 3 a 5 sedas rígidas e grossas" e "frutos internos com papilho de numerosos pêlos macios e plumosos".
Distribuição: Sul da Europa, Norte de África, Oeste e Sudeste da Ásia e Macaronésia (Madeira e Canárias). Em Portugal Continental, atendo-me ao registo de ocorrências no citado Portal, a sua distribuição estará limitada ao centro (onde será rara) e ao sul do pais, onde será menos rara, mas, aparentemente, não abundante. Digo aparentemente, porque o seu avistamento é dificultado pelo facto de, com o decorrer do dia e com o aumento da luminosidade, os capítulos tenderem a fechar-se, podendo a planta, por esse facto, passar despercebida por entre as ervas circundantes. O  fenómeno não é, aliás, exclusivo desta espécie pois a sua congénere T. dubius, tem o mesmo comportamento.
Habitat: Relvados em terrenos secos, por vezes pedregosos, sobre solos calcários e/ou argilosos.
Floração: Como período de floração aponta-se, geralmente, o que decorre entre Abril e Maio ou Junho. Tendo em conta a data em que as fotografias supra foram obtidas, fotos que até documentam o início da frutificação em alguns dos capítulos, não parece ousado antecipar o período de floração para o mês de Março, pelo menos, nalguns locais. No Algarve, por exemplo.
* Designação encontrada em Portugal Botânico de A a Z.
(Local e data: Alcalar - Algarve; 22 - Março - 2013)
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terça-feira, 26 de março de 2013

Alquitira-do-Algarve( Astragalus tragacantha)




Alquitira-do-Algarve ( Astragalus tragacantha L.*)
Pequeno arbusto (até 30 cm de altura) (tipo fisionómico: caméfito) da família Fabaceae. Planta muito ramificada, almofadada, espinhosa, com folhas pecioladas, penatissectas, com 5 a 10 pares de folíolos densamente revestidos de pêlos em ambas as faces; flores com corola esbranquiçada agrupadas (3 a 8) em inflorescências em cacho, curtamente pedunculadas.
Distribuição: Península Ibérica, França, Córsega, Sardenha e Tunísia. Em Portugal, a sua ocorrência está limitada à Costa Vicentina, no Algarve, estendendo-se ao longo do litoral, desde a praia de Bordeira (onde as fotos supra foram captadas) até Sagres. Há quem considere que a população existente na Costa Vicentina constitui uma subespécie  (Astragalus tragacantha vicentinus) sendo, como tal, um endemismo do litoral ocidental do Algarve. Tal tese não é acolhida pela Flora Ibérica que não reconhece a existência de qualquer subespécie, opinião, aparentemente partilhada, quer pelo Portal da APBotânica (Flora.On), quer pela Flora Digital de Portugal.
Habitat: plataformas superiores de arribas litorais, em solos pedregosos, nomeadamente, calcários, mas também areníticos ou xistosos, e, menos raramente, em areias litorais, geralmente em locais ventosos.
Floração: de Março a Maio
*Sinonímia: Astragalus massiliensis (Mill.) Lam.
(Local e data: Praia de Bordeira - Algarve; 20 - Março - 2013)
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segunda-feira, 25 de março de 2013

Albarrã-do-Peru (Scilla peruviana)






Albarrã-do-Peru ou Cila-do Peru (Scilla peruviana L.)
Erva vivaz, bulbosa (tipo fisionómico: geófito) da família Asparagaceae.
Nativa da Região Mediterrânica Ocidental, (designadamente do Sudoeste da Península Ibérica e Noroeste de África) é, todavia, largamente cultivada noutras regiões como planta ornamental.
Não sendo originária do Peru, rezam as crónicas que a atribuição do epíteto específico peruviana deriva de um equívoco sobre a origem dos exemplares a partir dos quais Lineu elaborou a descrição da espécie, exemplares que teriam sido importados de Espanha, mas levados a bordo de um barco chamado Peru.
 A confusão do descritor pode ser desculpável, mas já é pouco compreensível  a permanência do equívoco na designação vernacular portuguesa, tanto mais quanto é certo que, em língua inglesa, a espécie é designada, nomeadamente, por Portuguese Squill e mesmo em Espanha entre outros nomes comuns, como  flor de la corona, flor de la piña,  jacinto azul estrellado, mosquera sevillana, a planta também é conhecida  pelo nome de  jacinto portugués.
Habitat:  locais húmidos e sombrios, incluindo nas margens de cursos de água, sobre solos argilosos ou, preferencialmente, calcários. 
Floração: de Março a Maio.
(Local e data: Paderne - Algarve; 21 - Março - 2013)
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domingo, 17 de março de 2013

Alho-de-Nápoles (Allium neapolitanum)

 


Alho-de-Nápoles (Allium neapolitanum Cirillo*)
Erva vivaz, bulbosa (tipo fisionómico: geófito), glabra, cujo caule pode atingir entre 20 a 60cm, com 2 a 3 folhas, dispostas ao longo do terço inferior do caule, glabras, sésseis, lineares, inteiras, com comprimento que se pode aproximar do comprimento do caule; flores com tépalas brancas reunidas em inflorescência sob a forma de umbela esférica, ou semi-esférica, em geral, densa, reunindo flores na ordem das dezenas.
Distribuição: Espécie originária da Região Mediterrânica e Macaronésia (Madeira e Canárias), encontra-se actualmente naturalizada na Austrália e na América do Sul e noutras regiões, onde foi introduzida como planta de jardim.
Em Portugal é dada como presente no Alentejo (Alto e Baixo), Beira Litoral, Estremadura, Ribatejo e Trás-os-Montes mas há registos da sua ocorrência noutras regiões. A falta de uma designação verdadeiramente popular (o vernáculo "Alho-de-Nápoles" não é mais que a tradução do nome científico) indicia que a espécie não será muito comum em Portugal e não é de excluir que algumas populações encontradas podem não ser espontâneas, tendo tido origem na dispersão de sementes ou no abandono de bolbos de plantas cultivadas. Admito mesmo que a população, aliás numerosa, onde as fotografias supra foram obtidas pode ter tido essa origem, pois a cerca de uma centena de metros encontram-se residências com jardim.
Habitat: em geral em locais húmidos e sombrios, designadamente nas margens de cursos de água, mas também na berma de caminhos e em terrenos cultivados.
Floração: de Fevereiro a Maio.
*Sinonímia: Nothoscordum inodorum (Aiton) G. Nicholson.
(Local e data: Serra da Arrábida; 12 - Março - 2013)

quinta-feira, 14 de março de 2013

sexta-feira, 8 de março de 2013

Arabis sadina









Arabis sadina (Samp.) Cout. 
Erva, vivaz, (tipo fisionómico: hemicriptófito) rizomatosa, da família Brassicaceae, com indumento formado essencialmente por pêlos estrelados mais denso ao nível das folhas e na metade inferior do caule, apresentando-se este erecto (15 a 45cm de altura) simples ou pouco ramificado. Folhas com 5 a 8 pares de dentes ou lóbulos marginais, as inferiores, oblanceoladas ou subespatuladas, escassamente pecioladas, as caulinares, sésseis, de elípticas a lanceoladas, arredondadas na base. Flores com pétalas brancas ou levemente rosadas, reunidas (3 a 25) em inflorescências em cacho pouco densas.
Distribuição: esta Arabis é uma planta endémica de Portugal com distribuição limitada  ao Baixo Alentejo, Estremadura, Ribatejo e Beira Litoral.
Porque esta espécie leva na designação científica o epíteto específico de sadina, parti do pressuposto de que seria muito abundante na Serra da Arrábida e que seria fácil deparar com ela. Certo, porém, é que, não obstante as minhas frequentes deambulações pela Arrábida, de há dois anos a esta parte, só recentemente a avistei em vários locais, na mesma zona da serra, ora isolada, ora em pequenos grupos, sempre em pequenas clareiras no meio de matos baixos, em substrato calcário, rochoso ou pedregoso que parece ser o seu habitat normal. 
Diga-se que o pressuposto de que parti quanto à sua abundância  não tem justificação, pois esta encontra-se no facto de a espécie ter sido encontrada "Entre Tejo e Sado" e descrita, pela primeira vez, por Gonçalo António da Silva Ferreira Sampaio que lhe atribuiu  o nome de Arabis muralis var. sadina, basónimo que, por isso mesmo, tem no descritor o seu apelido Sampaio abreviado para Samp.
Por outro lado, a aparente pouca visibilidade da espécie pode também não ter nada a ver com a maior ou menor abundância, pois pode simplesmente resultar do facto de a planta preferir, por "modéstia", locais recatados, mais ou menos abrigados pelos matos circundantes, em vez de terrenos abertos e mais expostos aos ventos e aos olhares de quem passa. 
Floração: de Fevereiro a Maio.
(Local e data: Serra da Arrábida; 27 - Fevereiro - 2013)