segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Língua-de-cobra-menor (Ophioglossum lusitanicum)





Língua-de-cobra-menor (Ophioglossum lusitanicum L.)

Quando, há dias, o Paulo Araújo, publicou este "post", no Dias com árvores, não só fiquei surpreendido com a estranha forma deste feto (da família Ophioglossaceae) como estava muito longe de supor que, passados dias, seria eu a avistá-lo, como veio a acontecer. Anteontem, durante mais uma excursão à Serra da Arrábida, deparei com ele num local que já revisitei várias vezes e onde tenho deparado com algumas boas surpresas e esta foi mais uma. Ontem fui até lá, de novo, para fotografá-las.
 A população avistada, se bem que da ordem das centenas de pés, situa-se na base da encosta dum monte e ocupa apenas uma pequena área (não mais que dois ou três metros quadrados) sobre uma fina camada de terra a cobrir rocha calcária por onde escorre a água da chuva vinda do cimo do monte. 
A espécie é, como diz o Paulo, de tamanho diminuto, não indo a haste com os esporângios (de maior porte  do que as folhas, ou melhor, do que a folha, porque não vi mais do que uma nos exemplares observados) além dos 5 ou 6 cm. E de facto, atenta a pequena dimensão da planta, quem não for de olhos no chão e  bem abertos, facilmente passa por ela sem dela se aperceber. Poderá vê-la, mas facilmente a confunde com as ervas circundantes.
Já agora, aproveitando uma vez mais a lição do Paulo Araújo, fiquemos todos a saber que "o aparecimento da planta à superfície é efémero e decorre (...) de Outubro a Março". Pela minha parte ficam desde já aqui  expressos os meus agradecimentos.
(Local e data: Serra da Arrábida; 15 - janeiro - 2012)
(Clicando nas imagens, amplia)

3 comentários:

Rafael Carvalho disse...

Planta visualmente interessante!
Confesso que nunca avistei presencialmente nenhuma.
Curiosamente faz-me lembrar a extremidade oposta da cobra, não a língua, mas a cauda da cascavel, vulgo guizo...
Cumprimentos.

Francisco Clamote disse...

Tem alguma semelhança, de facto.

Paulo Araújo disse...

Parabéns pela excelente descoberta. É uma população bem melhor do que aquela que eu e a Maria vimos no Mindelo. Um livro sobre a flora da Galiza diz que esta espécie deve ser mais frequente do que aquilo que os "registos oficiais" levam a crer. O problema é que ela é realmente difícil de detectar.