terça-feira, 11 de maio de 2021

Trevo-rasteiro-da-praia (Lotus arenarius)




Trevo-rasteiro-da-praia (Lotus arenarius Brot.)
Erva anual, pilosa que pode atingir até 50 cm, com caules ramificados desde a base, erectos ou ascendentes, por vezes, decumbentes; folhas formadas por 5 folíolos; inflorescências axilares, pedunculadas, com 2 a 9 flores agrupadas em glomérulos protegidos por uma bráctea com 3 folíolos; pedúnculo direito, erecto-patente, até 3 vezes mais comprido que a folha axilante; flores com cálice piloso e corola amarela, esta bastante maior que o cálice; fruto cilíndrico, direito, até 4 vezes mais comprido que o cálice, com 18 a 25 sementes.
Tipo biológico: terófito:
Família: Fabaceae (Leguminosae)
Distribuição: Sudoeste da Península Ibérica e Noroeste de África (Marrocos).
Em Portugal ocorre, apenas no território do Continente e circunscrita ao Alto Alentejo, Estremadura e, duvidosamente, ao Algarve.
Ecologia/habitat: terrenos arenosos costeiros e clareiras de pinhais e  matos próximos do litoral, a altitudes até 100 m.
Floração: de Março a Junho.
(Local e data do avistamento:Costa da Caparica (Almada); 4 - Maio - 2021)
(Clicando nas imagens, amplia)

segunda-feira, 10 de maio de 2021

Pequena ou minúscula



Pseudorlaya pumila (L.) Grande *
Pseudorlaya é um género (da família Apiaceae/Umbelliferae) onde tudo tende para o pequeno, a começar pelo número de espécies que engloba: cinco admitidas, no máximo; duas apenas, segundo a Flora Ibérica (Pseudorlaya pumila e Pseudorlaya minuscula), havendo mesmo quem reconheça apenas a primeira daquelas.
Não é fácil, de facto, distinguir as duas espécies, pois se uma é pequena (pumila) (caules com 5 a 20cm) a outra é minúscula (caules com 3 a 15 cm), sendo que também o "hábito" de uma e de outra são semelhantes e parecido é igualmente o habitat de ambas: dunas e areais marítimos.
Há, todavia, segundo a referida Flora Ibérica, algumas diferenças que permitem distingui-las, com realce (porque mais perceptível para leigos, como eu) para o número de raios das umbelas (3 a 7, para a P. pumila - 6 no caso da imagem supra - e 3 a 4 para a P. minuscula). A referida publicação regista ainda outras diferenças, dificilmente perceptíveis a olho nu, no que respeita aos frutos maduros: (a P. pumila tem frutos com 7,5 mm de comprimento, revestidos de espinhos dorsais com tamanhos diferentes dos laterais, ao passo que os frutos da  P. minuscula  têm 4,5 a 7,5mm de comprimento e os espinhos dorsais e laterais são de tamanho igual.
Já quanto à distribuição é notória a divergência: a ocorrência da P. minuscula está limitada à Península Ibérica e a Marrocos, enquanto a  P. pumila surge na  Europa Ocidental e por toda a Região Mediterrânica. 
Em Portugal, contrariamente ao que acontece com a distribuição geral das duas espécies, a P. minuscula tem uma distribuição mais ampla do que a P. pumila: aquela ocorre no Algarve, Baixo Alentejo, Estremadura, Beira Litoral, Douro Litoral e, possivelmente, também no Minho, enquanto que esta surge apenas no Algarve e Baixo Alentejo e, eventualmente, também na Estremadura.
Floração da P. pumila: de Fevereiro a Maio
* Sinonímia: Caucalis pumila L. (Basónimo)
(Local e data das imagens supra: Ponta da Areia - Vila Real de Santo António, 26 - Março - 2014)
Aditamento:
Novas imagens da Pseudorlaya pumila obtidas na Costa da Caparica (Almada) em 4 - Maio - 2021, e ora publicadas com a intenção de permitir comparar  os frutos desta espécie com os frutos da congénere Pseudorlaya minuscula


quarta-feira, 5 de maio de 2021

Erva-pulgueira (Pulicaria paludosa)





Erva-pulgueira ou Mata-pulgas (Pulicaria paludosa Link)
Erva anual ou, embora raramente, bienal, com caules pubescentes ou glabrescentes, muito ramificados, que podem atingir até 75 cm; folhas alternas, oblongo-lanceoladas, com pêlos glandulares e não glandulares, as inferiores sésseis, as superiores semi-amplexicaules; flores amarelas (agrupadas em capítulos protegidos por invólucro formado por bráteas lanceoladas); as exteriores liguladas; as do disco, tubulosas.
Tipo biológico: terófito:
Família: Asteraceae (Compositae)
Distribuição: Península Ibérica e Noroeste de África (Marrocos). Introduzida na América do Norte.
Em Portugal ocorre, como planta autóctone, distribuindo-se, embora de forma não uniforme, por quase todo o território do Continente (é mais abundante no interior do que nas regiões próximas do litoral). Como espécie introduzida está também presente no arquipélago dos Açores.
Ecologia/habitat: leitos de cheia; relvados húmidos; outros locais temporariamente encharcados.
Floração: de Abril a Novembro.

domingo, 25 de abril de 2021

Lírio-roxo (Iris germanica)




Lírio-roxo *(Iris germanica L.)
Erva perene, rizomatosa, de folhas ensiformes, com caules cilíndricos, lisos, por vezes, ramificados no topo, que podem atingir até cerca de 100 cm.
Tipo biológico: geófito;
Família:Iridaceae;
Considerada por alguns autores com um híbrido natural (v.g.: I. palida x I. variegata) e de origem duvidosa (Europa central e meridional, para uns; região mediterrânica oriental para outros tantos) certo é que esta espécie é, desde há muito tempo, cultivada como planta ornamental, encontrando-se actualmente naturalizada em grande parte do globo. Portugal não é excepção.
A sua dispersão fica a dever-se, pelo menos, na maior parte dos casos, ao abandono e deposição de rizomas e de outros restos de plantas retiradas de cultivo. Não admira, por isso, que ela surja, sobretudo em "taludes de estradas, bermas de caminhos, entulhos [e] (...) perto de habitações em ruínas" (fonte), o que, todavia, não exclui o seu aparecimento noutros locais. Mesmo em tais casos, a explicação para o seu aparecimento será, provavelmente, a mesma, visto que a planta, no espaço da Península Ibérica é, também provavelmente, estéril, de acordo com o entendimento expresso na Flora Ibérica, sendo pois improvável que a propagação da espécie possa ter origem na dispersão de sementes.
Floração: de Fevereiro a Junho.
* Outros nomes comuns: Lírio-da-Alemanha; Lírio-germânico; Lírio-cardano; Íris-de-Florença; Lírio-florentino; Lírio-cor-do-céu; Lírio-roxo-dos-montes. No Brasil: Flor-de-lis, Íris-barbado.

quinta-feira, 22 de abril de 2021

Pseudorlaya minuscula





 Pseudorlaya minuscula (Pau) M.Laínz *
Erva anual, híspida, de reduzida dimensões (3 a 15 cm), com caules muito ramificados a partir da base; folhas multipenatissectas (2 ou 3 vezes), de contorno oblongo-deltóide, com ramificações de última ordem linear-oblongas, muito próximas entre si; inflorescências em umbelas compostas com 3 a 4 raios desiguais entre si; umbélulas com 6 a 10 flores, metade hermafroditas e outra metade masculinas; flores com pétalas pequenas (cerca de 1,5 mm) ovadas, de cor branca, rosada ou purpúrea; frutos, com  4,5 a 7,5 mm de comprimento, com revestimento de espinhos dorsais e laterais de tamanho aproximadamente igual. 
Planta com "hábito" muito semelhante ao da sua congénere Pseudorlaya pumila como se pode ler aqui, local onde igualmente se enumeram algumas das diferenças que permitem distingui-las.
Tipo biológico: terófito;
Família: Apiaceae (Umbelliferae)
Distribuição: Península Ibérica e Marrocos;
Em Portugal ocorre apenas no território do Continente, distribuindo-se ao longo de grande parte do litoral atlântico, desde o Algarve até ao Minho.
Ecologia/habitat: dunas e areais próximos do litoral, a altitudes até 60m.
Floração: de Fevereiro a Maio.
* Sinonímia: Daucus minusculus Pau
[Local e data: Arriba Fóssil - Costa da Caparica (Almada); 9/22 - Abril - 2021]
(Clicando nas imagens, amplia)

terça-feira, 20 de abril de 2021

Plantas ornamentais: Sumaúma (Ceiba speciosa)

(1) (2) (3) (4) 
Sumaúma é o nome vulgar dado em Portugal a esta árvore, com o nome científico Ceiba speciosa (A. St.-Hil.) Ravenna ( basónimo: Chorisia speciosa St.-Hill.), árvore que, no Brasil, donde é originária, é mais conhecida pela designação de Paineira-rosa, embora também se use a designação de Sumaúma. Esta designação, assim como a de "Paineira" derivam do nome das fibras que envolvem as sementes da planta e que as ajudam a dispersar, fibras que em Portugal são designadas por "sumaúma" e no Brasil também por "paina". Essas fibras são usadas no enchimento de travesseiros. A árvore, no entanto, em Portugal, é apenas utilizada como planta ornamental. Pertence à Classe: Magnoliopsida; Ordem: Malvales; Família: Malvaceae; Subfamília: Bombacoideae; Género: Ceiba.
Legenda das imagens:
Foto 1 - A árvore;
Foto 2 - Pormenor da flor;
Foto 3 - Pormenor da ramagem;
Foto 4 - Pormenor do tronco.
(As imagens podem ser ampliadas, clicando sobre elas)

Cizirão-de-um-ano (Lathyrus annuus)






Cizirão-de-um-ano (Lathyrus annuus L.)
Erva anual, glabra, trepadora, que pode atingir até 200cm; com caules  ramificados, alados, com asas com 0,5 a 2,5 mm de largura; folhas pecioladas com 1 par de folíolos, terminadas em gavinha ramificada; estípulas linear-lanceoladas, semisagitadas ou semihastadas, mais curtas que o pecíolo; flores com pétalas (estandarte, asas e quilha) de cor amarela, dispostas (1 a 3) em inflorescências pedunculadas; pedúnculo em geral mais curto que a folha axilante; fruto oblongo, reticulado, com 5 a 9 sementes esféricas. 
Tipo biológico: terófito;
Família: Fabaceae (Leguminosae)
Distribuição: Sul da Europa, desde a Península Ibérica até ao Cáucaso; Centro e Sudoeste da Ásia; Norte de África e Macaronésia (Açores, Madeira e Canárias). Em Portugal além de presente  nos arquipélagos dos Açores e da Madeira, ocorre também, como espécie autóctone, em boa parte do território do Continente (Algarve, Alto e Baixo Alentejo, Estremadura, Ribatejo e Beira Litoral, sendo duvidoso o seu aparecimento no Douro Litoral e Minho). 
Ecologia/habitat; terrenos relvados na orla de terrenos cultivados, caminhos e taludes, em locais húmidos e algo sombrios, com preferência por solos básicos, a altitudes desde 8 a 1200m.
Floração: de Março a Junho.
[Locais e datas dos avistamentos: Serra de Montejunto; 21 - Abril - 2014 (fotos 1 e 2); Almada; 17 - Abril 2021 (fotos restantes)]

quinta-feira, 15 de abril de 2021

Ervilhaca-vermelha (Vicia benghalensis)






 Ervilhaca-vermelha ou Ervilhaca-purpúrea  (Vicia benghalensis L.)
Erva anual ou bienal, trepadora, vilosa, com caules procumbentes, angulosos,  que podem atingir até 70 cm.; folhas quase sésseis, com 6 a 11 pares de folíolos, terminadas em gavinha ramificada; estípulas lanceoladas, semi-hastadas; folíolos elípticos ou oblongo-elípticos; inflorescências pedunculadas, com 4 a 15 flores; pedúnculos que podem ser mais compridos ou mais curtos que a folha axilante; flores com cálice viloso, subcilíndrico, de base gibosa e boca oblíqua; corola com pétalas de cor púrpura ou violeta, com cores mais carregadas ou escurescidas na ponta; fruto comprimido, estipitado, densamente viloso, com 2 a 5 sementes.
Tipo biológico: terófito ou hemicriptófito; 
Família: Fabaceae (Leguminosae)
Distribuição: Europa (Península Ibérica; Sul de França; Sul e Oeste de Itália; ilhas do Mediterrâneo Ocidental e Grécia) Noroeste de África e Macaronésia (Madeira e Canárias). Introduzida na América do Norte. 
Em Portugal ocorre, quer, como espécie autóctone, em todo o território do Continente e no arquipélago da Madeira, quer, como espécie introduzida, no arquipélago dos Açores.
Ecologia/habitat: pastagens e outros relvados; campos agrícolas, cultivados ou em pousio, a altitudes até 1100m. 
Floração: de Março a Julho.
Variedades: em toda a área da Península Ibérica e, logo,  também em Portugal, ocorrem 2 variedades: a var. benghalensis, que se caracteriza pela existência de lóbulos superiores do cálice com 2,5 a 4,5 mm e inflorescências densamente vilosas; e a var. perennis que apresenta lóbulos superiores do cálice menores (com 0,5 a 2 mm) e inflorescências com pilosidade variável. 

sábado, 10 de abril de 2021

Armeria sampaioi






Armeria sampaioi (Bernis) Nieto Fel.
Planta herbácea perene, com cepa muito ramificada; folhas glabras, dimorfas (as internas, lineares uninérvias; as externas, sublineares ou linear-lanceoladas, uninérvias ou binérvias); flores com corola rosada ou violácea, agrupadas em glomérulos protegidos por invólucros com 12 a 17 mm de diâmetro, formados por 8 a 10 brácteas involucrais, rugosas, glabras, de cor acastanhada e dispostos no ápice dos escapos, estes com 10 a 35 cm.
Tipo biológico: caméfito;
Família: Plumbaginaceae;
Distribuição: planta endémica da Península Ibérica, sendo certo que a maior parte da sua população, a nível mundial, se encontra concentrada em 5 localizações no Centro e  Norte  de Portugal Continental, (serras da Estrela e do Caramulo; do Gerês e Larouco).
Ecologia/habitat: pastagens pedregosas, plataformas rochosas e fendas de rochas graníticas, em zonas de montanha, a altitudes superiores 1000 m.
Floração: de Maio a Setembro.
Estatuto de conservação da espécie: incluída na Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental na categoria IUCN de "Vulnerável".
(Local e data: Serra da Estrela; 2 - Julho - 2020)
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quarta-feira, 7 de abril de 2021

Azedinha-de-flores-vermelhas (Oxalis articulata)



Azedinha-de-flores-vermelhas (Oxalis articulata Savigny)
Erva vivaz, pilosa, com 10 a 50cm; sem caules aéreos, mas com rizoma algo lenhoso, ramificado ou não, engrossado podendo atingir até 25 mm de diâmetro; folhas trifoliadas, dispostas em roseta basal com origem no ápice do próprio rizoma; folíolos obcordados, com pêlos adpresos nas duas páginas; inflorescência com 1 a 16 flores dispostas em cimeira umbeliforme, terminal, simples ou composta; flores com pétalas rosadas com linhas mais escuras de cor púrpura; fruto em forma de cápsula cilindríca, mais ou menos aguda, pilosa.
Tipo biológico: geófito;
FamíliaOxalidaceae;
Distribuição: planta originária do Sudoeste da América do Sul  (Uruguai, Sul do Brasil, e Nordeste da Argentina) introduzida em diversos países europeus para fins ornamentais, onde, entretanto,  se naturalizou.
Em Portugal ocorre, como espécie introduzida, embora não muito comum, quer no território do Continente, quer no arquipélago dos Açores.
Ecologia/habitat: planta ruderal, com frequência escapada de jardins, surge em terrenos baldios ou abandonados e em locais mais ou menos perturbados, a altitudes até 1100m.
Floração: decorre ao longo de praticamente todo o ano.
Frutificação: na Europa, a planta raramente frutifica e quando tal acontece, não produz sementes viáveis, pelo que a sua propagação ocorre por via vegetativa, através da segmentação do rizoma.
(Local e data do avistamento: Paio Pires (Seixal); 29 - Março - 2017)
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sexta-feira, 26 de março de 2021

Ranúnculo-de-três-partes (Ranunculus tripartitus)





Ranúnculo-de-três-partes (Ranunculus tripartitus DC.)
Erva anual, por via de regra, mas vivaz em certas circunstâncias, prostrada (quando em terra) erecta e distendida (quando submersa); folhas laminares com limbo reniforme ou suborbicular, em geral com 3 lóbulos profundos; folhas divididas, quando existentes, circunscritas aos nós inferiores; flores com 5 pétalas brancas, ovadas, não contíguas; sépalas reflexas e azuladas, pelo menos no ápice; aquénios (4 a 27) glabros.
Tipo biológico: terófito ou hemicriptófito;
Família: Ranunculaceae;
Distribuição: Europa Atlântica desde o Norte da Alemanha até Portugal; montanhas do Atlas no Norte de África.
Em Portugal distribui-se ao longo de boa parte do território do Continente mas de forma irregular e descontínua, não sendo, pelo menos aparentemente, muito comum.
Ecologia/habitat: valas e regatos de águas lentas; charcos temporários e lagoas de águas pouco profundas.
Floração: de Janeiro a Maio.