segunda-feira, 28 de março de 2022

Reseda virgata





Reseda virgata Boiss. & Reut.
Planta perenizante, glauca, multicaule. com caules de ascendentes a erectos, glabros,com 30 a 70 cm; folhas alternas, lineares, glabras, glaucas, em geral com 3 a 5 apêndices na metade inferior; inflorescência em cacho, densa; flores com 6 (eventualmente, 5) sépalas glabras, ovado-lanceoladas, persistentes e com 6 (por vezes, 5) pétalas esbranquiçadas, as superiores unguiculadas, com o limbo trilobado; as laterais e inferiores linear-lanceoladas e não unguiculadas; fruto em forma de cápsula subglobosa, glabra, com sulcos profundos, umbiculada e com 4 dentes no ápice; sementes reniformes, lisas, castanho-escuras.
Tipo biológico: caméfito;
Família: Resedaceae;
Distribuição: planta endémica da Península Ibérica. Em Portugal está presente apenas no território do Continente, sendo apenas conhecidos registos da sua ocorrência em Trás-os-Montes; Beira Alta e Alto Alentejo.
Ecologia/habitat: terrenos incultos e de pastagem, bermas de estradas e caminhos, em solos arenoso-argilosos ou derivados de serpentinitos, a altitudes desde 400 a 1400 m.
Floração: de Março a Julho.
[Avistamento: concelho de Bragança (Trás-os-Montes); 19 - Junho - 2019]
(Clicando nas imagens, amplia)

segunda-feira, 21 de março de 2022

Trevo-subterrâneo (Trifolium subterraneum)








Trevo-subterrâneo (Trifolium subterraneum L.)
Erva anual, vilosa. Caules prostrados com 10 a 90 cm, com pêlos patentes; folhas alternas, estipuladas, pecioladas, trifoliadas, com folíolos obcordiformes, subsésseis, inteiros, denticulados ou lobulados, emarginados no ápice, com pilosidade em ambas as páginas ou só na inferior; estípulas membranáceas, com a parte livre lanceolada, aguda, em geral glabra ou glabrescente; inflorescências pedunculadas  axilares, capituliformes, obovóides na floração, com 2 a 6 flores férteis e várias estéreis reduzidas ao cálice, reflexas na maturação; pedúnculos recurvados que podem atingir até 20 cm; flores férteis com corola papilionácea, esbranquiçada ou rosada, glabra, caduca na frutificação; infrutescências globosas e hipógeas; fruto (vagem indeiscente) com uma só semente, incluso ou não no cálice; sementes (2 a 4 mm) lisas, violáceas ou anegradas.
Tipo biológico: terófito;
Família: Fabaceae (Leguminosae);
Distribuição: Europa, Sudoeste da Ásia; Noroeste de África e Macaronésia (arquipélagos da Madeira e das Canárias). Introduzida em numerosos países para melhoramento de pastagens.
Em Portugal ocorre, como espécie autóctone, quer no território do Continente, quer no arquipélago da Madeira e como espécie introduzida, no arquipélago dos Açores.
Ecologia/habitat: prados, pastagens e outros relvados, bermas de estradas e caminhos, com preferência por solos siliciosos, a altitudes até 1700 m.
Floração: de Fevereiro a Junho.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Mastruço (Coronopus didymus)






Mastruço ou Mastruço-rasteiro * [Coronopus didymus (L.) Sm.**]
Erva anual, com raiz aprumada; caules prostrados ou decumbentes, vilosos, podendo atingir até 45 cm; folhas glabras, penatissectas, com segmentos penatipartidos ou penatifendidos, as basais maiores que as caulinares; flores diminutas com pétalas com cerca de 0,6 mm, nem sempre presentes, agrupadas em cachos laterais dispostos em oposição às folhas ou em pontos de ramificação dos caules; frutos em silícula dídima, comprimidos; sementes: 1 por lóculo.
Tipo biológico: terófito;
Família. Brassicaceae (Cruciferae);
Distribuição: planta originária da América do Sul, introduzida e naturalizada na Europa; África (Norte e Sul); América do Norte; Austrália e Macaronésia.
Em Portugal ocorre como espécie introduzida, quer no território do Continente, quer nos arquipélagos da Madeira e dos Açores.
Ecologia/habitat: planta ruderal, com preferência por locais nitrificados, podendo encontrar-se em meios urbanos e à beira de estradas e caminhos, a altitudes até 700m.
Floração: de Fevereiro a Setembro. 
**Sinonímia: Lepidium didymus (L.) Sm. (basónimo); Senebiera didyma (L.) Pers.; Senebiera pinnatifida DC.
* Duas das várias designações vulgares por que é conhecida a planta no Brasil. Em Portugal não tem, ao que parece, designação comum.
(Avistamento: Almada; 30 - Abril - 2018)
(Clicando nas imagens, amplia)

domingo, 20 de fevereiro de 2022

Candeias (Arisarum simorrhinum)







Candeias ou Capuz-de-frade (Arisarum simorrhinum Durieu)

Planta perene, acaule, com 15 a 40 cm, com tubérculo a partir do qual se desenvolvem rizomas e raízes; folhas que aparecem a partir do solo, com pecíolo comprido (5 a 34 cm) e limbo de cordiforme a hastado ou sagitado; inflorescência em forma de espádice, com pedúnculo com comprimento menor ou igual ao do pecíolo, protegida pela espata que se apresenta neste caso como estrutura tubular, curvada na parte superior, terminando em forma de capuz; espádice (mais curto ou mais comprido que a espata) com com 16 a 36 flores masculinas e 2 a 16 flores femininas, estas na base, estéril e dobrado na parte superior; fruto composto por 2 a 8 bagas; 1 a 12 sementes por cada baga.
Tipo biológico: geófito;
Família: Araceae;
Distribuição: Península Ibérica; Norte de África (Marrocos, Argélia e Tunísia); Ilhas Baleares; e Macaronésia (Madeira e Canárias).
Em Portugal, além de presente no arquipélago Madeira, ocorre também como espécie autóctone, com maior ou menor abundância, ao longo de grande parte do território do Continente. No arquipélago dos Açores surge como espécie introduzida.
Ecologia/ habitat: terrenos cultivados e incultos, taludes, bermas de estradas e caminhos, fendas e plataformas rochosas nitrificadas, em solos ácidos ou básicos, a altitudes até 840 m.
Floração: de Outubro a Abril.
(Avistamento: Serra do Risco (Arrábida); 6 - Fevereiro - 2019)
(Clicando nas imagens, amplia)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Cornilhão-esponjoso (Scorpiurus vermiculatus)






Cornilhão-esponjoso (Scorpiurus vermiculatus L.)
Erva anual, vilosa, com caules erectos ou prostrados, ramificados a partir da base, podendo atingir até 30 cm; folhas com pecíolo achatado, quase tão comprido quanto a lâmina; esta com 15 a 35 mm de largura, oblanceolada ou elíptica, aguda, mucronada, atenuada em direcção ao pecíolo, com 5 a 7 nervuras; inflorescências com pedúnculo muito mais comprido que a folha axilante, na fase da frutificação, por via de regra com uma só flor, ou, por excepção, com 2 ou 3 no máximo; flores com corola amarela; fruto que se fragmenta muito tarde, com 5 a 7 mm de largura, enrolado em várias espirais concêntricas, geralmente todas cobertas por protuberâncias, com 5 a 8 sementes.
Tipo biológico: terófito;
Família: Fabaceae (Leguminosae)
Distribuição: Oeste da Região Mediterrânica (Sardenha, Sicília, Itália, Tunísia, Argélia, Marrocos e Península Ibérica) e Macaronésia (Madeira e Canárias). Introduzida na França, Grécia e Malta.
Em Portugal além da mencionada presença no arquipélago da Madeira, distribui-se também por uma boa parte do território do Continente (Algarve, Alto e Baixo Alentejo, Beira Baixa, Beira Litoral Estremadura e Ribatejo)
Ecologia/habitat: prados e outros relvados; campos agrícolas; taludes, bermas de estradas e caminhos, em substratos ácidos ou básicos, a altitudes até 900m.
Floração: de Março a Junho.
(Clicando nas imagens, amplia)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Barrilha-espinhosa (Salsola kali)

(1)

(2)

(3)

(4)

(5)

(6)
Barrilha-espinhosa *(Salsola kali L.)
Erva anual, erecta ou ascendente, ramificada desde a base, em geral, glabra, híspida, por vezes, podendo atingir até cerca de 100 cm; caules verdes quando jovens, apresentando, com o decorrer do tempo,  estrias longitudinais, roxas ou esverdeadas; folhas alternas, cilíndricas ou semi-cilíndricas, com o ápice espinhoso; flores solitárias ou agrupadas (até 4) em glomérulos.
Tipo biológico: terófito;
Família: Amaranthaceae;
Distribuição: Europa, Ásia e Norte de África. Naturalizada na América do Norte.
Em Portugal ocorre, como espécie autóctone, quer no território do Continente (Algarve; Alto e Baixo Alentejo; Estremadura; Ribatejo; Beira Litoral; Douro Litoral e Minho) quer nos arquipélagos da Madeira e dos Açores.
Ecologia/habitat: locais perturbados, abandonados ou em pousio; areais costeiros; suportando terrenos com algum grau de salinidade, a altitudes até 800m.
Floração: de Maio a Novembro.
* Outros nomes comuns: Barrilheira; Barrilheira-espinhosa; Gramata; Soda; Soda-espinhosa; Trago-espinhoso.
[(Avistamentos: Lagoa de Albufeira (concelho de Sesimbra); 30 - Julho - 2018 (fotos 1 e 6); Costa da Caparica (Almada); 5 - Agosto 2011 (fotos restantes)]
(Clicando nas imagens, amplia)

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Arroz-das-paredes (Sedum forsterianum)

 

(1)

(2)

(3)

(4)

(5)
Arroz-das-paredes (Sedum forsterianum Sm.)

Planta perene, suculenta, glabra,  com raízes finas e abundantes que nascem a partir dos rebentos anuais; caules erectos, com folhas persistentes mesmo depois de secas, podendo atingir até 35 cm; folhas oblongo-lineares, quase planas, mais ou menos carnudas, agudas; flores pentâmeras ou hexâmeras, com pétalas livres em tons de amarelo intenso; estames em número de 10 ou 12, consoante o número de pétalas (5 ou 6); flores agrupadas em inflorescências corimbosas, bracteadas, subglobosas, em geral curvadas para o exterior, antes da fase da antese.
Tipo biológico: Caméfito;
Família: Crassulaceae;
Distribuição: Europa Ocidental.
Em Portugal ocorre, como espécie autóctone, em todo o território do Continente e como espécie introduzida no arquipélago dos Açores. Inexistente no arquipélago da Madeira.
Ecologia/habitat: taludes à beira de estradas e caminhos; orlas e clareiras de bosques e matagais, com frequência em solos arenosos ou pedregosos, a altitudes até 1700m.
Floração: de Abril a Julho.
[Avistamentos: Serra da Estrela; 15 - Junho - 2014 (foto 1); Serra de Montejunto; 13 - Maio 2014 (fotos restantes)]

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Craveiro-do-monte (Simethis mattiazzi)





Craveiro-do-monte, Cravo-do-monte ou Ouropeso [Simethis mattiazzi (Vand.) Sacc.*]

Planta rizomatosa, perene, de caule erecto (20-45 cm); folhas lineares, basais, geralmente mais compridas que a haste floral; flores (brancas na parte interior e de cor púrpura na parte exterior, estames com filamento densamente peloso, na parte média, característico desta espécie, e anteras amarelas) agrupadas em panículas lassas. 
Distribui-se  ao longo dos países ribeirinhos da costa ocidental do Atlântico (noroeste de Marrocos, Portugal, Espanha, França e Sudoeste da Irlanda) e da costa ocidental do Mediterrâneo, desde Espanha até à Itália.
Segundo esta fonte, é uma espécie pouco frequente em Portugal, surgindo em locais graníticos ou areníticos, de solos muito ácidos. Não pondo em causa a informação que, no geral, corresponderá à verdade, certo é que  os exemplares fotografados foram encontrados em clareiras de matas sobre terrenos pedregosos de natureza argilo-xistosa, podendo, pelo menos presumir-se que a sua ocorrência não se limita àquele tipo de solos, até porque, também ao invés da referida informação, foram numerosos (da ordem das centenas) os exemplares que encontrei no mesmo local.
Espécie única do género Simethis, tem sido habitualmente classificada como pertencendo à família Asphodelaceae/Liliaceae. Todavia, esta fonte, com base em análises filogenéticas, enquadra-a na família Xanthorrhoeaceae (subfamília Hemerocallidoideae). (Como é óbvio, não serei eu a resolver a disputatio. O leitor terá que se contentar, tal como eu, com a informação sobre a existência desta divergência.) 
Floração: de Março a Julho.
*Sinónimos: Anthericum mattiazii Vand.; Anthericum planifolium Vand.; Pubilaria mattiazzi (Vand.) Samp.; Simethis bicolor Kunth; Simethis planifolia (L.) Gren. et Godr.
[Local e datas: Troviscal - Sertã; 09 abril - 2011 (fotos 1, 2 e 3); 28 - abril - 2011 (fotos 4 e 5)]
(Clicando nas imagens, amplia)